3 ANO
(2° Semana de maio)
(2° Semana de maio)
FILOSOFIA
O ser humano
NATUREZA OU CULTURA? UM SER ENTRE DOIS MUNDOS
Podemos
falar de mulheres e homens, de crianças, adultos e idosos, de negros, brancos e
amarelos, de ricos e pobres, de heterossexuais e homossexuais, e assim por
diante. Mas observe que, apesar dessa imensa diversidade, em todos os casos
estamos nos referindo sempre à mesma coisa ou ser: o ser humano. Isso
nos leva à questão inevitável, que tem motivado a atenção de tantos filósofos e
estudiosos das diversas disciplinas: o que é o ser humano?
Comecemos
nossa busca usando o ponto de vista da biologia e da arqueologia. Sabemos que
somos seres vivos pertencentes ao reino animal e, mais especificamente, à
espécie denominada Homo sapiens. Então, nossa nova pergunta pode ser a
seguinte: o que distingue nossa espécie das demais? Ou, em linguagem
popular, qual é a diferença entre “gente” e “bicho”?
Humanos e outros animais
Se
compararmos o corpo humano com o de outros animais, veremos que o nosso corpo
não é tão capacitado quanto o deles para enfrentar uma série de dificuldades.
Como ilustra o arqueólogo australiano Gordon Childe (1892-1957), não temos, por
exemplo, um couro peludo como o do urso para manter o calor corporal em um
ambiente frio. O corpo humano também não é excepcionalmente bem-adaptado, como
o de alguns animais, à fuga, à autodefesa ou à caça. Por isso, não temos a
capacidade de correr como uma lebre ou um avestruz. Não temos a coloração
protetora do tigre ou a armadura defensiva da tartaruga ou da lagosta. Não
temos asas para voar e poder localizar mais facilmente uma caça. Faltam-nos o
bico, as garras e a acuidade visual do avião. No entanto, observa esse
arqueólogo:
“O ser humano pode ajustar-se a um
número maior de ambientes do que qualquer outra criatura, multiplicar-se
infinitamente mais depressa do que qualquer mamífero superior, e derrotar o
urso-polar, a lebre, o gavião e o tigre, em seus recursos especiais. Pelo
controle do fogo e pela habilidade de fazer roupas e casas, o homem pode viver,
e vive e viceja, desde os polos da Terra até o Equador. Nos trens e automóveis
que constrói, pode superar a mais rápida lebre ou avestruz. Nos aviões e
foguetes pode subir mais alto do que a águia, e, com os telescópios, ver mais
longe do que o gavião. Com armas de fogo pode derrubar animais que nenhum tigre
usaria atacar. Mas fogo, roupas, casas, trens, automóveis, aviões, telescópios
e armas de fogo não são parte o corpo do homem. Eles não são herdados no
sentido biológico. O conhecimento necessário para sua produção uso é parte do
nosso legado social. Resulta de uma tradição acumulada por muitas gerações e
transmitida, não pelo sangue, mas através da linguagem (fala e escrita). A
compensação que o homem tem pelos seus dotes corporais relativamente pobres é o
cérebro grande e complexo, centro de um extenso e delicado sistema nervoso, que
lhe permite desenvolver sua própria cultura”. (A evolução cultural do homem, p. 40-41.)
Por
esse raciocínio, podemos concluir que, diferentemente dos outros animais, os
humanos não são apenas seres biológicos produzidos pela natureza. são também
seres que modificam o estado de natureza (isto é, a condição natural das
coisas, definida pelos processos da natureza). Isso significa que os humanos
são também seres culturais. Esmiuçemos um pouco mais o que acabamos de
afirmar.
Condutas inatas e aprendidas
Aprendemos
em biologia que boa parte do comportamento dos animais está vinculada a
reflexos e instintos (padrões inatos, não aprendidos, de conduta), relacionados
a estruturas biológicas hereditárias. Assim, o comportamento de um inseto é
praticamente igual ao de qualquer outro de sua espécie, hoje e sempre. É o que
observamos, por exemplo, na atividade das abelhas nas colmeias ou das aranhas
tecendo suas teias.
E no
entanto, algumas espécies animais apresentam, além dos modelos comportamentais
considerados inatos, algumas reações mais flexíveis, imprevisíveis ou
maleáveis, de acordo com as circunstâncias ambientais. É o caso, por exemplo,
de cães e gatos, nos quais se percebe muitas vezes o que se poderia chamar de
“personalidade”. em chimpanzés e gorilas, é possível encontrar atos
inteligentes e uma capacidade elementar de raciocínio.
Agora,
se colocamos o ser humano nessa comparação, podemos dizer que existe uma grande
diferença entre seu comportamento e o dos animais em geral, no que diz respeito
a certas habilidades. Para dar um só exemplo, mesmo o chimpanzé mais evoluído
possui apenas rudimentos daquilo que lhe permitiria desenvolver a linguagem
simbólica – como qualquer humano saudável é capaz de fazer – e tudo o que
dela resulta: aprender, reelaborar o conteúdo aprendido e promover o novo
(invenção).
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Linguagem
simbólica – sistema de símbolos, isto é, signos que, por convenção (acordo
entre as pessoas), representam alguma coisa. por exemplo, as línguas
portuguesa, inglesa etc.
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Isso
quer dizer que a vida de cada animal é, em grande medida, semelhante ao padrão
básico vivido por sua espécie. o ser humano, por sua vez, tem, individualmente
e como espécie, a capacidade de romper com boa parte de seu passado, questionar
o presente e criar a novidade futura.
Não há
dúvidas de que todo ser humano apresenta também reflexos e instintos vinculados
a estruturas biológicas hereditárias próprias da nossa espécie. Paralelamente,
elementos genéticos limitam certas mudanças, e fatores socioeconômicos
dificultam a realização de determinados desenvolvimentos humanos. Além disso,
vários tipos de crenças, ideologias e condicionamentos impedem as pessoas de
sequer desejar uma transformação em si mesmas ou à sua volta.
Mesmo
assim, podemos dizer que o ser humano não nasce pronto pelas “mãos da
natureza”, como parece ocorrer no reino animal. Como defendem alguns
pensadores, a vida de cada indivíduo humano seria um “parto” constante, um
processo permanente de nascimento e construção de si mesmo. o que determina,
então, essa diferença entre o animal humano e todos os outros animais?
RESPONDA A ATIVIDADE
3 ANO C
SOCIOLOGIA
SOCIOLOGIA
PARTICIPAÇÃO POLÍTICA
Poder, política e ideologia
Katya Picanço
SEED/vários
autores, Sociologia, Curitiba:
SEED-PR, 2006. p. 79-81
Desde que homens e
mulheres passaram a viver em grupos e a trabalhar coletivamente, várias formas
de organização social foram se configurando, sendo que uma das mais recentes e
que permanece até hoje em várias sociedades, chama-se Estado.
Mas, por que isso
aconteceu? Se retornarmos aos filósofos que realizaram as primeiras análises
acerca do Estado, iremos perceber que esses chegaram a algumas conclusões, mas
principalmente a uma, que fala da necessidade que os homens têm, como um todo,
quando vivem em sociedade, de estar sob a responsabilidade de uma instância
ordenadora, que lhes dê o direcionamento de determinadas decisões, quer dizer,
o que aponta a dificuldade dos homens e mulheres em viverem coletivamente em
“estado de natureza”.
Assim, o Estado se
consolidou como uma instituição que no decorrer do desenvolvimento das
sociedades, apresentou características as mais distintas, que foram desde o
poder de um único homem, até o Estado que buscava representar a coletividade.
A partir do início
do desenvolvimento do capitalismo, temos a formação dos Estados Nacionais
Modernos, os quais são caracterizados por mecanismos políticos que facilitam o
governo de determinado grupo sobre determinado território. Esses mecanismos
baseiam-se em sistemas de leis e regras sociais, mas principalmente na
capacidade do governo de usar a “força” com a finalidade de implementar suas
políticas.
Essa capacidade de
atingir objetivos (com o uso da força), inclusive diante de fortes
resistências, chama-se poder. O poder, para ser efetivado (bem-sucedido
em seus objetivos) faz uso do que conhecemos como ideologia.
A ideologia pode
ser definida como o conjunto de ideias ou como a “visão de mundo” de um grupo
(ou classe social) que se impõe, ou procura se impor sobre outro. Todos desejam
estar bem, viver bem, enfim ser felizes! É isto que ouvimos continuamente,
principalmente dos meios de comunicação – nos comerciais de TV, nas músicas,
nos filmes, etc... Mas o que significa esta “felicidade” propagada pela mídia?
Significa consumir, ou seja, ser proprietário de um carro maravilhoso, do
último modelo de celular, frequentar lugares badalados da moda...
As consequências
desse tipo de raciocínio nos levam a uma busca desenfreada por produtos e por
um modelo de vida quase inatingível! Trata-se de uma corrida sem ponto de
chegada, e na qual descobrimos que esta “felicidade” que se compra, caberá a
apenas alguns. E como
ficam os milhões
de seres humanos que morrem de fome e de epidemias, que nunca frequentaram uma
escola, que vivem nas ruas ou na beira das estradas? Qual o significado da
felicidade para estas pessoas? É muito provável que seja um prato de comida.
O que nos leva a
desenvolver este pensamento individualista? A acreditar que o sucesso e a
felicidade dependem unicamente do esforço de cada um? A ignorar que vivemos
numa sociedade na qual as oportunidades não são colocadas igualitariamente...

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